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Imagens da infância: Tom Sawer, Calvin e Haroldo

Estou saindo de férias. Volto no dia 02.02.08. Na bagagem, para ler com meu filho pequeno, levo Tom Sawer e As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain e os quadrinhos de Calvin e Haroldo, de Bill Watterson. Veja no blog de filosofia,estética contemporânea e micro-políticas , sobre as outras leituras e a programação do II Verão Arte Contemporânea.

Para quem deseja se deliciar com as peripécias de um menino pobre, valente e de coração nobre, nada melhor que o livro de Mark Twain. Minha mãe me deu de presente quando eu tinha 10 anos de idade e nunca mais deixei de reler essa saga da infância. Tomei gosto pela leitura na companhia de Tom Sawer.

Vejam bem: estou falando de livros para ler com crianças. Há toda uma lista de livros que falam da infância (Miguelim, Menino de Engenho etc.), mas isso é outra história.

Para quem se interessa pela educação, ler Tom Sawer e Huckleberry (que é uma continuação do primeiro e alguns, como Luis Dulci, estudioso de literatura e atual secretário de Lula, considera muito superior ao primeiro) é importante para adquirir leveza e um saudável espírito alegre e relativista. Além disso, pode ajudar a entrar em contato com nossos blocos de infância, como diz Deleuze.

Calvin e Haroldo é outro caso. Os quadrinhos são geniais e também tratam da infância. O meu primeiro interesse por Calvin e Haroldo vem do olhar sobre o movimento, por incrível que pareça. Eu passava slides dos desenhos para alunos de teatro perceberem as oposições, principalmente.

Meu filho do meio, hoje com 21 anos de idade, tem numa perna uma tatuagem imensa de Haroldo pulando sobre Calvin. Uma história só nossa, mas que compartilho com vocês. Desde pequeno ele vivia pulando sobre mim. Foi crescendo e continuava pulando sem parar. Quando chegou aos 11 anos de idade, eu praticamente ia ao chão. E era aquela alegria: vinha correndo e pulava. Um dia, esse menino chegou aos 12 e pulou pelas minhas costas. Eu estava numa fase ruim, sem trabalho corporal, tudo me assustando e produzindo estresse. Quase morri! E reagi com raiva. O menino ficou doente, vomitando sem parar, pálido e enfraquecido. Resolvi escrever uma carta para ele, explicando as minhas limitações, que ele havia crescido muito, que receber um pulo pelas costas era difícil, que apesar de ele ter crescido sempre havia um lugar dentro de mim… E que eu não deixaria de recebê-lo… E que muito o amava.

Mas entregar uma carta sem um presente não funciona. Passei numa livraria em busca de quadrinhos, que é sua paixão desde pequeno (hoje, é ele quem me aplica nas leituras das grafic novels). Vi a capa de uma revista que dizia tudo: o desenho de um tigre pulando sobre um menino que gritava desesperado: Felino!Selvagem!Psicopata! Homicida! Nem precisa dizer que o tigre Haroldo, um brinquedo, é também um produto da imaginação de Calvin. Quando dei esse livro junto com a carta, os vômitos pararam na hora, a cor voltou no seu rosto e o menino saiu da cama.

Aos vinte anos, ele vai no meu trabalho e diz que fez uma tatuagem nova. E levanta a barra da calça: uma imensa tatuagem toda coloridad, de Haroldo, o tigre, pulando sobre o menino com a cara de susto e terror!

E por fim, para quem gosta de curtir junto com os filhos (e para quem não sabe, ainda há tempo de aprender), a mensagem de um título de Calvin e Haroldo juntos: que esses dias de verão fiquem simplesmente lotados (de ócio!).